sexta-feira, 6 de março de 2015

“Tirem as mãos dos nossos corpos”: manifesto insta Estados a pararem de tentar controlar as vidas das mulheres

A Amnistia Internacional lança um novo manifesto, com a aproximação do Dia Internacional da Mulher, em que os Governos do mundo inteiro são instados a porem fim às tentativas de controlarem e criminalizarem a sexualidade e as escolhas das raparigas e mulheres.

Este manifesto, integrado na campanha O Meu Corpo, os Meus Direitos da Amnistia Internacional, urge os Estados a removerem os obstáculos que persistem nos serviços de saúde sexual e reprodutiva, na educação e na prestação de informação, pondo um fim a leis e práticas que são discriminatórias.

Publicado em vésperas do Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, o manifesto enuncia os direitos que todas as mulheres e raparigas têm sobre os seus próprios corpos. Apesar dos avanços feitos desde a assinatura, há duas décadas, de um acordo global histórico sobre a igualdade de género, em Pequim, observa-se atualmente um retrocesso que resultou em mulheres e raparigas no mundo inteiro serem privadas dos seus direitos sexuais e reprodutivos.

“Embora dezenas de países tenham proibido os casamentos forçados e a mutilação genital feminina nestes últimos 20 anos, tais práticas continuam a ocorrer de forma difundida”, frisa a coordenadora da campanha O Meu Corpo, os Meus Direitos da Amnistia Internacional, Jessie Macneil-Brown.

A perita da organização de direitos humanos sublinha que “as graves violações dos direitos sexuais e reprodutivos de raparigas e mulheres são um problema muito importante”. “Em alguns países, a interrupção da gravidez é ainda totalmente proibida e há mulheres presas até por suspeitas de terem abortado ou sofrido um aborto espontâneo”, prossegue.

O manifesto insta os Estados a:

- abolir as leis que criminalizam o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos;

- libertar todas as mulheres e raparigas presas por terem interrompido a gravidez ou sofrido abortos espontâneos, assim como aqueles que as assistiram;

- garantir o acesso a serviços abrangentes de saúde sexual e reprodutiva;

- asseverar o acesso a educação e programas de informação sexual sem preconceitos e com base em factos demonstrados, tanto dentro como fora das escolas;

- prevenir e dar resposta a todas as formas de violência com base no género, em particular contra as mulheres e raparigas;

- assegurar que todas as pessoas têm participação significativa nas leis e nas políticas que produzem impacto sobre os seus corpos e sobre as vidas;

- garantir que todos conseguem obter de forma acessível e eficaz compensações nos sistemas de justiça quando os seus direitos sexuais e reprodutivos são violados.

“Os Estados e outros agentes na sociedade têm de parar com as tentativas de controlar as escolhas que cabem às raparigas e às mulheres. O direito a tomar decisões informadas sobre a nossa saúde sexual e reprodutiva é um direito humano, e tem de ser garantido em vez de prejudicado e criminalizado”, defende Jessie Macneil-Brown. “Este manifesto urge todas as pessoas a expressarem solidariedade e a exigirem que estes direitos sejam protegidos”, remata.

Este manifesto da Amnistia Internacional foi já assinado em Portugal por outras organizações da sociedade civil: a Ilga Portugal-Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero, a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas e a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Assine também o manifesto O Meu Corpo, os Meus Direitos! E contribua para esta campanha global de defesa dos direitos das raparigas e mulheres em todo o mundo, também com um donativo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Relatório Anual da Amnistia Internacional 2015


Situações de uso excessivo da força pela polícia e condições prisionais inadequadas assim como casos de discriminação de comunidades ciganas são o tema em destaque em Portugal no Relatório Anual de 2015 da Amnistia Internacional. No panorama de direitos humanos no país assinala-se também o impacto das medidas de austeridade no exercício dos direitos económicos e sociais, nomeadamente nos casos assinalados como tal pelo Tribunal Constitucional.

Estas preocupações destacadas no Relatório Anual tinham sido já expressas pela Amnistia Internacional quando Portugal foi avaliado na Revisão Periódica Universal, em sede das Nações Unidas, em abril de 2014. Logo na altura foi destacada a necessidade de o país proteger os direitos humanos dos grupos mais vulneráveis no contexto de crise económica.

O Relatório Anual descreve ainda situações de sobrelotação prisional, condições prisionais inadequadas, e ainda de excesso do uso da força por parte das forças de segurança.

Além dos casos concretos de discriminação das comunidades ciganas mencionados no Relatório Anual, refere-se ainda a discriminação com base na orientação sexual, designadamente no que respeita a coadoção de crianças por casais do mesmo sexo, bem como a questão que transita de anos anteriores que respeita à violência sobre mulheres e raparigas.

Por fim, no que toca à situação de refugiados e requerentes de asilo em 2014, o Relatório Anual assinala a nova legislação sobre asilo adotada em janeiro em Portugal, que amplificou os critérios de detenção de pessoas requerentes de proteção internacional, e destaca as condições de sobrelotação que se continuam a verificar no Centro de Acolhimento em Lisboa. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Pela libertação de Raif Badawi

A Amnistia Internacional Portugal exigiu no dia 11, em frente da embaixada da Arábia Saudita, em Belém, a libertação imediata de Raif Badawi, o blogger saudita preso e vergastado por pedir, na net, a liberalização do regime. O Grupo 19 também esteve lá. A Arábia Saudita ocupa o lugar 164 no ranking dos RSF, 2015, sobre a liberdade de expressão. (Fotos de Ricardo Dias da Silva)





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Escolas vivas

Sessão da Amnistia Internacional Portugal - Grupo 19 na Secundária Ferreira Dias, no dia 29 de Janeiro, a segunda vez em três meses. Uma escola viva. 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Manifestantes pacíficos detidos na Guiné Equatorial a dias da Taça das Nações têm de ser libertados

As autoridades da Guiné Equatorial têm de libertar imediatamente e de forma incondicional os três homens que foram detidos há duas semanas, suspeitos tão só de terem participado em protestos pacíficos contra a decisão do país de ser anfitrião da Taça das Nações Africanas em futebol, instam em conjunto várias organizações internacionais de direitos humanos e transparência. 












sábado, 27 de dezembro de 2014

Obrigado!

Terminou a MOSTRA-ME de 2014. A todos os que estiveram connosco na projecção dos cinco filmes da XIII Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos, o nosso sensibilizado obrigado e um pedido: levem longe o que viram e ouviram. A defesa dos Direitos Humanos compete a todos. Um obrigado especial ao Grupo de Estudantes da Amnistia da Escola Secundária de Santa Maria pela ajuda que nos deu na realização de mais um evento desta série, iniciada no princípio dos anos de 1990. E um renovado agradecimento também ao Centro Cultural Olga Cadaval pelo acolhimento que mais uma vez nos dispensou. Boas Festas, Bom Ano Novo a todos.